Tim tim
Acho que todo mundo já leu mil e uma opiniões sobre os shows do Tim Festival, mas mesmo assim, atrasado e correndo o risco de me fazer irrelevante vou dividir minhas preferências aqui com vocês, até mesmo pra gente levantar discussões:
Quinta-feira
Beth Gibbons
A moça canta muito e sabe disso. Belo show, com arranjos muito bem resolvidos. No repertório nenhuma do Portishead, o disco solo quase inteiro e ainda a covardia de incluir "Candy Says", do Velvet, no bis.
Platéia muito misturada, alguns fãs de Portishead (a maioria em pé, brigando com a galera das mesas no gargarejo) e gente que tinha ido pra ver a k.d. lang e não fazia a menor idéia do que ia assistir.
Beth chegou a dar declarações depois dizendo que tinha se sentido ridícula ao cantar para um público que não era o dela. Besteira, pra provar que ela estava errada fui embora depois do show dela pra correr pro Lab
Wado
Ouvi os dois discos do cara e minha impressão sempre foi razoavel. Nem compartilhava a empolgação de alguns amigos e nem achava desprezável. Quando rolou o show na LOUD! eu não consegui ver direito, então estava curioso pra conferir a performance do TIM.
Cheguei bem em tempo e como as batidas do Tangará (Deus o tenha) já estavam fazendo um belo efeito, fui lá pra frente do palco. No final, o show não mudou muito a minha opinião sobre o Wado. Nem pra melhor, nem pra pior. Engraçado que quase todo mundo com quem conversei _ fora os adoradores que eu já tinha citado _ achou o show horroroso.
Lambchop
Esperava muito desse show, por tudo o que o Gordinho sempre me falou do show que ele viu e porque gosto bastante do que já ouvi dos discos. Por um lado não teve o impacto esperado já que o repertório privilegiou as músicas ainda inéditas dos dois álbuns que a banda está para lançar. Kurt Wagner deve ter pensado em seus botões:
_ Bom, já que ninguém conhece a gente por aqui mesmo então não vai fazer nenhuma diferença se a gente tocar as músicas dos discos ou não. A atitude frustrou a dúzia e meia de fãs que se esforçaram para conseguir espaço entre os fãs dos hermanos nas primeiras filas.
De qualquer forma é até maldade classificar como decepcionante um show como aquele que vimos do Lambchop. Se tivesse outro no dia seguinte estaria lá de novo.
Los Hermanos
Já tá ficando até cansativo falar sobre como o público canta todas as músicas dos caras, de como o show é uma celebração e tal. Mas a coisa é bem por aí mesmo. Tem gente na imprensa que até já tá começando a ensaiar uma comparação com o Legião Urbana.
Donos da platéia, fizeram um show impecável. Mas sem surpresas também. Bonito, mas o do Canecão foi melhor.
2manyDJS
É, perdi, pode zoar...
Também, se eu disse que as batidas já estavam surtindo efeito na hora do show do Wado dá pra imaginar como eu estava no after, né?
E ainda teve aquele prego de Jackson não sei lá das quantas que ficava falando umas besteiradas no meio das músicas. Dormi na pista e achei melhor ir embora.
Sexta-feira
Fellini
Cheguei à 7h10 (a ressaca me impediu de chegar antes) e me surpreendi com o Fellini já no palco. DO que vi foi um bom show, para poucos. A banda me pareceu pouco à vontade no palco, mas também pra quem não toca há tanto tempo isso nem dá pra estranhar. E já me disseram que eles nunca foram mesmo muito extrovertidos nas apresentações. Enfim, o que interessa funcionou muito bem. Rolou até uma do repertório do The Gilberto`s no set.
Super Furry Animals
Você já leu tudo o que tinha que ler sobre o show deles. E foi tudo isso mesmo. O som estava perfeito (alto pra caralho, cheio de pressão, gravão no talo) e a performance de palco deles é fenomenal.
Faltou Northern Lites (Gruff Rhys disse depois pro Gordinho que foi porque eles estavam sem os metais), mas fora isso o repertório foi muito bem escolhido.
Minhas preferidas pessoais estiveram presentes, com destaque para Receptacle for the Respectable e seu final capetão.
Rapture
Agora sim! A primeira grande surpresa do Tim Festival pra mim. Não gosto muito do Echoes, acho sem punch, não desce. Mas o show foi exatamente o oposto. Eletroclash o catzo! Aquilo é punk rock.
Doidaços, os caras se divertiram pra caramba no palco (nesse quesito talvez só perdessem pra um trio conhecido de vocês que subiu ali no dia seguinte :) ) e isso quando acontece dificilmente não contagia. Foda. Depois do SFA não esperava por algo à altura mais no festival. Daí veio o Rapture... Quem precisa de expectativas...
White Stripes
Outro show que pra mim oscila entre os extremos das opiniões que ouvi e li. Achei bem meia boca, não a vinda do messias à Terra nem uma porcaria como alguns julgaram. Que mania de querer polarizar em tudo...
JAck White realmente segura a onda muito bem na guitarra mesmo com o movimentos prejudicados e muito do charme da banda vem mesmo da interação dele com a Meg (que toca bateria de forma até engraçada).
Pelo menos tocaram suas melhores composições (I think I Smell a rat, You`re preety good looking, Seven nation army, Hotel Yorba...) Não me deu vontade de sair no meio nem de correr lá pra frente.
Gotan Project
Bacaninha. Interessante, sofisticado e tal. Mas depois de uns 40 minutos bateu um certo tédio. A platéia do Lab esse dia também fazia com que o meu enfado aumentasse, mas não a ponto de se tornar insuportavel e provocar a minha saída. Enfim, concluí que os caras são até bons no que fazem, mas não, não é pra mim...
Erol Alkan
Devo ter ficado uns 15, 20 minutos. Deu... Tá, eu tava cansadaço, mas ele também não tava ajudando...
Sábado
Nação Zumbi
Em meio a um monte de goteiras no palco, eles demoraram um pouquinho a se encontrar. E ainda teve a participação especial daquele bobalhão que atrapalhou um monte o ritmo do show (alguém tem que avisar ao pessoal da Nação que eles se bastam no palco). Mas quando eles acharam o caminho tudo passou a funcionar que foi uma beleza.
O meu maracatu pesa uma tonelada me impressiona toda vez que eu ouço ao vivo. Mais um showzaço, o terceiro deles que eu vejo esse ano.
The Streets
O chopp da Devassa é bonzão, né?
Public Enemy
Deve ter sido clássico. Já de cara, na primeira meia hora de show, duas das músicas que eu mais queria ouvir (welcome to my terrordome e Bring the noise). A banda tinha peso pra fazer inveja a qualquer banda de metal. Pena que a essa altura a gente já estivesse envolvido em se preparar pra ir pro backstage, se preparar pra tocar etc.
Queria ter visto o show dos caras em outras condições, lá na frente, enfim, sem estar com a cabeça em outro lugar. Pior que amanhã, na hora em que eles estiverem tocando no Armazem eu vou estar dentro de um
São Geraldo
Nóis!
Chegamos ao backstage por volta 1h20: _ Tá tudo atrasado. O Public Enemy vai tocar ainda por mais uma hora e a previsão é que o after só esteja aberto ao público às 2h45. Ficamos por ali, eu tentando assistir alguma coisa por uma fresta na cortina no fundo do palco e tomando sustos toda vez que aqueles seguranças do P.E saíam de cena.
Bom, quando a gente conseguiu finalmente um camarim _ depois da Peaches ter nos oferecido cervejas do dela enquanto o nosso não ficava disponível _ deviam ser por volta de 2h da manhã e o Public Enemy ainda estava no palco.
É óbvio que a gente já pressentia que algo não ia acontecer como o planejado. Especulávamos que nosso set seria tesourado e ainda nem tínhamos definido como a gente ia dividir entre os 3 o tempo disponível.
Logo logo um responsável veio, cheio de dedos, nos soltar a bomba. Das 2h previstas, teríamos apenas 1h, e ainda assim, dividida em duas meias horas, intercaladas pelo show da Peaches.
Nada a fazer nem a argumentar foi a nossa conclusão óbvia.
É claro que não ficamos satisfeitos, quem já discotecou pelo menos uma vez na vida sabe que em meia hora não dá pra se fazer muita coisa, não dá pra se criar nenhum clima. Ainda mais em se tratando de Djs de rock, selectors _como aliás acho que seria mais justo sermos chamados _ que não tiram da técnica o diferencial.
Bom, o único alívio era de que o isopor já estava abastecido com algumas latinhas de Skol. O antigo slogan "Sai dessa, ..." nunca tinha me parecido tão genial. Bom, o resultado vocês viram, eu não preciso contar de novo.
Nossa limitação de tempo acabou servindo pra tirar a pressão e o que rolou foi a gente se divertindo, e bebendo (sinônimos? fui redundante?) ali em cima do palco.
E pelo menos nessa parte eu tenho certeza de que fomos bem sucedidos.