Segunda, dia 20
Segunda, a Maldita conta com show do Lasciva Lula e China e Feijão na pista 2. Ninguém melhor do que os próprios para falar sobre o que programaram.
A gente se vê amanhã na Nautillus!
Com a palavra, os convidados:
Primeiro o
Lasciva Lula, que faz o show, na pista 1
"Há cerca de 5 anos, eu e o Gordinho fazíamos a zaga vascaína dos Jaquetas de Prata 96/2, lendário time do campeonato de futebol da ECO. (Nunca ganhamos nada...) Ele, a data entrega, era veterano tapa-buraco. Nessa mesma época, ele e o Zé arquitetavam o surgimento de uma festa. E lá em Cabo Frio, ouvindo os ecos das malditas festas de ano-novo de Arraial do Cabo, nascia outra banda dessas que querem que o Lariú as selecione para o midsummer, e ele nunca o fará. Na real, nada disso tem relação e quase tudo é verdade. O fato é que nesta segunda, 20/10, tem Lasciva Lula na Maldita e nós preparamos uma bela canção para o show. O autor não é zé nem gordinho, é balofo. E como o Desafio Maldito nunca mais deu as caras, vai o Desafio Lascivo mesmo: quem acertar o curto título da bela canção que iremos tocar, ganha um kit Lasciva Lula (1 CD "1a Edição", 1 CD "Óleo de Saliva" e 1 camisa da banda). O disco da música em questão já foi resposta no Desafio Maldito Back to the 90´s - A Cronologia. De bandeja. Ah, sim, sobre o som do Lasciva Lula... baixa os MP3 lá no site (
www.lascivalula.com.br).
Felipe - Mão"
Agora,
Chinaman, que divide a pista 2 com o
Feijão
"Já que o Feijão não escreveu o release publicitário dele,
resolvi botar no papel de pixels um textinho que, embora sem
maiores pretensões, é uma baita xaropada ensaística. Queriam
o quê, uma listinha de bandas ou de referências de estilo
tipo synth-punk-early-80's? Xarope, pelo menos, faz bem a
quem precisa... e quem não precisa de vez em quando?
Tome:
A transição dos anos 70 para os 80 foi o tempo da
consolidação do modo de vida urbano como o conhecemos,
culturalmente falando. Foi só então que tomou consistência e
veio à tona a transformação social que vinha se processando
ao longo do êxodo rural que começou nos anos 50.
Durante os anos 70 foram sendo ultrapassadas as referências
rurais dos anos 60, em direção a referências ao espaço
urbano, à tecnologia e ao comportamento e perspectivas da
juventude em meio a tudo isso.
Dá pra tentar explicar o punk, nesse contexto, como uma
instalação mais incisiva da juventude no novo espaço social,
rompendo com as expectativas prévias da sociedade. Essa
explicação é evidentemente limitada, mas serve para o que eu
quero dizer.
Que no início dos anos 80 havia uma nova mentalidade e uma
disposição iconoclasta - na qual o punk teve um impacto
fundamental - circulando entre os jovens adultos que queriam
ocupar os novos espaços urbanos à sua maneira.
A pauta, ao contrário dos anos 60, não era encontrar o
espaço social e político da juventude. Agora tratava-se de
assimilar uma mudança social que não mais partia do
comportamento, mas sim de profundas mudanças no espaço
urbano, econômico e político.
Calma aí, que isso tem a ver com a Maldita.
As músicas dos anos 80 pré-michael-jackson muitas vezes
falam da vida noturna em espaços artificiais, fazem uma
releitura dos relacionamentos sob a nova sociedade e, em
grande parte, fazem comentários - existenciais ou fúteis -
sobre a
assimilação da pressão pelo sucesso profissional ou
artístico, seja na forma da afirmação, do pessimismo ou de
um sincero "vamos ver no que dá, enquanto isso vamos tomando
drogas para tentar transcender a pressão que está maior do
que nunca".
Da forma como eu vejo, vem daí a grande vitalidade combinada
com uma certa ingenuidade - positiva, negativa ou
indiferente - que ressoa na música dos primeiros anos 80. É
uma música inquieta, sempre tensa em alguma medida entre a
euforia e a depressão, sem meios termos.
E parece que estamos experimentando agora um gosto parecido,
em plenos 00. Não faltam análises que comparam o contexto
econômico e político atual com o do ínicio dos 80 -
recessão, crise de crédito, aumento da tensão militar,
conservadorismo no poder.
A ansiedade de hoje e a vontade de transcendê-la são muito
familiares às dos 80. Mas uma considerável diferença é que a
ansiedade está muito mais acelerada. E a juventude menos
inocente.
Deu pra entender o que a gente vai tocar?"